Número total de visualizações de páginas

sábado, 18 de fevereiro de 2017

De olhos postos na Educação Especial... uma viagem pela Deficiência Visual! - sessão II

No dia 8 de fevereiro estivemos reunidos mais uma vez na ação de formação. Foi possível partilhar algumas ideias, discutir temas como o papel social das pessoas com deficiência visual, o preconceito e o estigma que ainda existe e tentámos eliminar alguns mitos relacionados com esta matéria.
Depois, abordámos a temática da orientação e mobilidade dando ênfase à importância que a mesma tem para a autonomia e bem estar de um cego.
Na imagem que aqui deixo vemos o grupo a simular uma situação de mobilidade com um guia. A tarefa foi muito simples, em pares deslocavam-se por vários espaços da escola, um com venda e outro a fazer de guia. A certa altura trocavam.
Cada um reagiu à sua maneira, mas foi possível constatar que todos eles consideraram como muito difícil a deslocação de olhos vendados. Alguns tiveram tonturas, outros chocaram com objetos (culpa do guia!!). 

Todos eles saíram com consciência de que não basta colocar uma venda para entender uma pessoa cega. No fim, todos a tiraram e voltaram à sua vida.

Um cego, esse, nunca tira a venda!

FMM

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Orelhas 'grandes'!

O Sr. A.B. utente do GADV, com baixa visão extrema,  a propósito de alguém lhe ter dito que andava muito calado ultimamente, respondeu: "À medida que os olhos vão diminuindo, as orelhas vão crescendo. Agora oiço muito mais que antigamente, e com mais atenção."

Tendo ou não uma limitação visual, parece-me uma excelente ideia, ouvirmos mais os outros, prestando atenção ao que dizem. 
As pessoas escutam mas não ouvem. Na nossa sociedade nem sempre interessa o que outra pessoa tem para dizer, porque o que importa é aquilo que achamos e a opinião que temos sobre tudo.

Olhar e não ver.
Escutar e não ouvir.

FMM


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Não basta pôr uma venda nos olhos...

Era uma vez um menino chamado António que era cego. Tinha perdido a visão há alguns anos e sempre se lembra de ter sido cego. Na sua memória guardava apenas algumas imagens, das faces da sua família mais chegada, das cores e pouco mais. Como qualquer outro menino, António andava na escola. O que para a maioria dos meninos era tarefa fácil, para António era um desafio. Para um menino cego, a autonomia e a autoconfiança não era garantida, conquistava-se, dia-a-dia, a pulso, com dificuldade, com passos pequenos mas seguros. Para isso, o menino contava com muitas ajudas, tinha uma senhora que o ajudava nos intervalos, porque nem sempre havia colegas disponíveis para o fazer (os meninos nas escolas básicas são muito ocupados e desaparecem nos intervalos, vão à sua vida - já referi este assunto no blog). Para além disso, tinha professores que o acompanhavam em quase todas as aulas. Haveria de haver um dia em que António seria um jovem completamente autónomo nos estudos e teria a destreza no Braille e a capacidade de registar tudo o que se passava nas aulas e aí sim, não precisaria de acompanhamento. Apesar de todas as dificuldades o menino António era um bom miúdo, com sentido de humor, muito confiante e agradável com todos. Quem tivesse o cuidado e a sorte de o conhecer melhor, conseguiria ver que, apesar de todas as dificuldades que tinha, era um miúdo destemido, adorava conhecer coisas novas e nunca virava a cara a novas aventuras.
Como qualquer menino cego o grande problema dele era a dificuldade que tinha em arranjar amigos. Num mundo a 200 à hora, onde a imagem, o parecer e a superficialidade pareciam ser dominantes, um menino como ele sentia-se deslocado, estranho, às vezes, quase impotente para ultrapassar as barreiras criadas pelas pessoas. Sim, por muito que se pense que o maior problema de um cego possam ser as barreiras arquitetónicas, a falta de acessos aos locais, a falta de sinalização de passadeiras, etc., o maior problema é a falta de sensibilidade, o preconceito e o estigma.
O António era cego, mas via e sentia essa falta de sensibilidade e até mesmo alguma crueldade por parte dos meninos da sua idade, da sua turma. Ele sabia que não podia ser amigo de todos. Ser cego não implicava que toda a gente gostasse dele. Também não queria que sentissem pena dele. Nem pensar.
O mundo era um local louco naqueles tempos. Os valores estavam todos invertidos. Não se respeitavam as diferenças e os meninos que estavam próximos do António não o respeitavam, não percebiam porque é que ele tinha tantas ajudas e por que é que as suas conquistas eram festejadas tão efusivamente. Os corações de alguns deles não tinham compaixão e a sua inveja crescia na mesma proporção da sua altura. Alguns deles, sabe-se lá porquê, também queriam ter essa atenção, também queriam ter professores que os acompanhassem nas aulas, ou uma senhora que os lembrasse que tinham que comer nos intervalos ou não os deixassem ficar sozinhos quando mais ninguém os queria acompanhar.
Esse sentimento fazia com que, por vezes, fossem cruéis com o António. É incrível como algumas atitudes podem estragar meses de trabalho no que diz respeito a autonomia, autoconfiança, e bem estar de um menino cego.
Nesse tempo só se dava importância aquilo que era visível. Observavam-se os privilégios, mas ignoravam-se as causas. Esses sentimentos negativos impediam que se visse mais além, que se olhasse a pessoa e se entendesse. O menino António não era um privilegiado. O menino António estava numa escola onde lhe eram dadas oportunidades de crescer, de se preparar para o futuro, de ganhar competências para sobreviver num mundo competitivo.
Será que os colegas que desejavam ter os mesmos "privilégios" estariam dispostos a colocar-se na mesma situação do António? NÃO!
Será que o António abdicaria de todos os "privilégios" para ter nem que fosse um pouco de visão que permitisse ser mais autónomo na escola? SIM!

Felizmente vivemos  numa sociedade moderna, onde os direitos dos meninos com deficiência visual (ou qualquer outra) estão salvaguardados. As crianças sabem respeitar as diferenças e apoiam os colegas que têm mais dificuldades. Quando um desses meninos consegue uma vitória, seja numa atividade da sala de aula, seja num torneio de uma qualquer modalidade, essa vitória é festejada como se fosse de todos. Hoje em dia, apesar de não termos de ser amigos de toda a gente, e não termos de ser amigos de um menino só porque ele tem uma deficiência qualquer, sabemos respeitar a condição do outro, agarramos no 'd' da palavra deficiência, mandamos fora, e transformamos em eficiência. Nos intervalos, em vez de fingirmos que não estamos ao lado do António, fazemos notar a nossa presença, e perguntamos se quer ir dar uma volta connosco. Olhamos para as ajudas que ele tem e compreendemos e ficamos felizes por estarmos numa escola que lhe dá essas condições. Nunca se sabe se não poderá acontecer algo semelhante connosco e não sermos nós a necessitar dessa ajuda, mesmo que temporária.
É bom viver num mundo assim.

FMM

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Conferência 'Deficiência, Inclusão e Direitos Humanos"

A APECI promoveu a Conferência com o tema “Deficiência, Inclusão e Direitos Humanos” que teve lugar hoje, dia 1 de fevereiro de 2017  no Auditório do edifício dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Torres Vedras. Esta ação foi dinamizada pela Dra. Isabel Felgueiras e pela Prof. Dra. Júlia Serpa Pimentel que apresentam uma larga experiência académica e profissional na abordagem desta temática. O objetivo principal desta ação foi o de refletirmos sobre a atualidade da inclusão das Pessoas com deficiência ou incapacidade na sociedade portuguesa e, em particular, na comunidade torreense. 


A sessão foi aberta pela vereadora Ana Umbelino que fez uma excelente reflexão sobre esta temática. Saliento uma frase que referiu na qual diz, e estou a citar de cor, que é a própria sociedade que cria a incapacidade dos outros, por não saber construir espaços que respeitem a diversidade. 

Fiquei a pensar nisto. De facto, somos nós (todos) que criamos muitas vezes essa incapacidade. A deficiência ou incapacidade do outro só é visível se ele tiver que desempenhar um determinado papel ou deslocar-se a um local e não conseguir. Se houver uma mudança de paradigma, na forma como olhamos a deficiência, talvez as diferenças se vão esbatendo cada vez mais, até, num cenário utópico, desaparecerem de vez. Uma pessoa em cadeira de rodas só se mostrará incapaz se lhe for 'exigido' algo que a sua condição não permita realizar. Uma escada, por exemplo, só será obstáculo se for a única forma de aceder a um local. Fica para reflexão.

Depois falou-se sobre os direitos humanos. A defesa dos direitos humanos e dos direitos das pessoas com deficiência ou incapacidade é algo que já vem de tempos muito remotos. É um processo inacabado, com altos e baixos, sensível a modas. Esses direitos não estão garantidos, é preciso defendê-los, cuidar deles e promovê-los. Hoje e sempre.

Tenho andado com outra preocupação, algo que tem merecido alguma reflexão da minha parte e que foi falado hoje na conferência. 
Ainda ontem, numa reunião com uma encarregada de educação, falávamos sobre a passagem, de um aluno com uma deficiência ou incapacidade, da escola para o mundo do trabalho. Como articular essa passagem? Como suavizar o choque do final da escolaridade e a passagem para a idade adulta? Para onde vai o jovem? Com quem fica? Conseguirá um trabalho? Conseguirá realizar um trabalho sequer? Terá autonomia para tratar dele próprio? Terá autonomia para se deslocar entre casa e o trabalho, se o tiver? Estará a escola a prepará-lo para o 'mundo real'? Estarão os pais preparados para deixá-los entrar no 'mundo real'?
Por enquanto, ficam as perguntas. Espero conseguir dar respostas no futuro.
É sempre uma angústia para pais e professores. 
Garantir o acesso às aprendizagens e resolver os problemas do dia-a-dia e projetar o futuro de alunos com alguma deficiência e incapacidade não é tarefa fácil. Arregacemos as mangas.
As conferências servem para isto mesmo, para pensar, mesmo que as ideias surjam algo confusas e os temas se misturem. É hora de arrumar as ideias.
FMM



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A assinatura de um cego

Uma pessoa com deficiência visual grave sabe assinar?

Hoje pretendo escrever sobre esta temática e refletir um pouco sobre este assunto.
O 'saber assinar' é algo que nos acompanha ao longo de quase toda a nossa vida. Assim que aprendemos a escrever começamos a inventar assinaturas, a fazer rabiscos e 'assinar' um documento acaba por ser uma forma de 'crescer' e deixar a nossa 'marca'.
Como fará então um cego?
Se utiliza a impressão digital como assinatura por não saber utilizar a grafia a negro, um cego é tido como um analfabeto. Esta situação traz desconforto e acentua o estigma e a diferença.
Poder assinar um documento é uma forma de atenuar o preconceito e uma clara mensagem à sociedade de que, apesar da falta de visão, é possível uma pessoa cega deixar a sua marca pessoal num documento.
Com um bom controlo corporal, uma motricidade fina desenvolvida, uma boa orientação espacial e uma boa memória tátil e cinestésica, e muito treino é possível aprender a assinar a negro.
Cabe ao professor ou técnico orientar e promover este treino de forma a contribuir para uma maior participação social da pessoa com deficiência visual.
FMM


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Olhar não significa VER!


Porque andam as pessoas (neste caso, jovens) tão alienados?
Confesso que gosto de observar pessoas, não no sentido de um voyeurismo doentio, mas no sentido de entender o que as move, como atuam e reagem perante diversas situações, como comentam as notícias (às vezes leio mais os comentários que as próprias notícias!!) e por aí fora. 
No trabalho que tenho com crianças, jovens e adultos com baixa visão ou cegueira, dou por mim a observar, não só como as pessoas com DV se comportam e reagem perante as situações que aparecem ou perante aquelas que eu próprio provoco para testar alguns conhecimentos ou avaliar a sua destreza quando encontram obstáculos, mas também como as outras pessoas reagem perante eles.
As reações vão desde a preocupação extrema e exagerada perante tudo o que tenha a ver com a cegueira, à completa indiferença e quase alienação da presença do outro. Talvez este comportamento seja transversal a todos os que os rodeiam. Pessoas fechadas sobre si mesmas, a viver no seu mundo...
Eu não sou assim, se vejo um idoso a atravessar a rua vejo se está a fazê-lo em segurança; se vejo uma criança sozinha, olho em volta à procura de um pai, ou um irmão mais velho; se vejo uma pessoa a cair, apresso-me para a ajudar...
Posto isto, esta 'conversa' toda vem a propósito de algo que aconteceu hoje. Não sendo grave, a reincidência de acontecimentos do género fizeram-me escrever isto.
Hoje quando a minha aluna estava a preparar-se para subir as escadas de acesso de um edifício, reparei que estava uma jovem sentada nas mesmas, mesmo no local por onde a aluna costuma passar. 

A aluna veio no seu percurso, com a bengala (tic-tic-tic) a marcar cada passo, segura de si, autónoma e confiante. Iria subir as escadas por onde todos os dias sobe, sabe que é por ali que é mais seguro e lá se dirige para os primeiros degraus. 

A jovem sentada, ao ouvir o tic-tic da bengala olha na nossa direção e vê-nos. Reação - a minha expetativa: que se levantasse e facilitasse a passagem da aluna; o que aconteceu: não teve reação, voltou a olhar para o telemóvel e deixou-se ficar onde estava. 
Naqueles segundos pensei se não deveria avisar a aluna para ela se desviar, mas logo achei que até seria bom ela 'esbarrar' contra o obstáculo, seria uma forma 'real' de lhe lembrar que, apesar de se fazer o mesmo percurso todos os dias, há sempre a possibilidade de surgir algo inesperado.
E assim foi, deixei-a ir. A jovem levou com a bengala, a aluna identificou e ultrapassou o obstáculo e todos continuaram a sua vida.
Mas fiquei com esta ideia na cabeça: porque é que olhamos para os outros e não os vemos? Porque é que estamos a ver uma pessoa cega a vir na nossa direção e não temos a destreza mental de perceber que somos nós que temos que nos desviar? Andamos assim tão alienados? 
Eu observo e tento perceber as situações. Mas há muitas coisas que não percebo. 
Vou continuar a olhar e a ver se percebo.

FMM

De olhos postos na Educação Especial... uma viagem pela Deficiência Visual!


Começou ontem uma ação de formação interna no Agrupamento de Escolas Padre Vítor Melícias, a qual estou a ministrar, chamada 'De olhos postos na Educação Especial... uma viagem pela Deficiência Visual'.

Esta ação insere-se no plano de atividades da escola. Esta escola é a escola sede de um agrupamento de referência para o ensino de crianças e jovens com deficiência visual. Por isso, é essencial que todos quantos trabalham com crianças e jovens com deficiência visual, estejam despertos para esta problemática e conheçam a sua implicação para que a resposta educativa dada seja o mais eficaz possível.

Dessa forma, torna-se pertinente que todos os agentes educativos tenham acesso a informação útil sobre os problemas visuais mais comuns e a forma como a visão influencia o modo como se aprende; a questão da orientação e mobilidade, nomeadamente na aprendizagem de técnicas de guia; e a grafia Braille, e a sua importância na literacia dos alunos com deficiência visual grave.

Os objetivos da ação são os seguintes:


. sensibilizar os docentes para a problemática da deficiência visual;
. informar os docentes sobre as patologias mais comuns e qual a sua influência na forma como o aluno realiza a sua aprendizagem.
. desmitificar a situação do aluno com baixa visão ou cegueira, refletindo sobre formas de intervenção educativas eficazes;
. dar a conhecer técnicas de guia e de utilização da bengala branca;
. conhecer e utilizar a grafia Braille;
. utilizar a máquina de escrever Perkins para a produção de textos em Braille.

Os temas a tratar na ação são:

. Problemas visuais
  (patologias mais comuns; diagnósticos, prevenção)
. Mitos sobre a deficiência visual 
  (estigma; papel social da pessoa cega)
. Orientação e Mobilidade 
  (conceito de orientação e mobilidade; técnicas de guia; técnicas de bengala)
. Braille -
  (introdução à grafia Braille; o alfabeto Braille; utilização da máquina Perkins; formatação do texto Braille)

Ponto de partida:
Tendo em conta que leciono num agrupamento de referência para o ensino de crianças com deficiência visual, como poderei melhorar a minha prática?


FMM

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Dia Mundial do Braille

Dia Mundial do Braille

Hoje comemorou-se o dia com a abertura da sala de Educação Especial (domínio visual) para uma demonstração de Braille, onde alguns alunos puderam saber um pouco sobre esta grafia e também aprenderam a escrever o seu nome em Braille.

O Braille causa sempre muita curiosidade nas crianças. A ideia de um código especial, conhecido por poucos, com o qual podem comunicar acaba por fasciná-los.

No meio desse fascínio abrem-se os horizontes, promove-se a diferença e esbate-se o preconceito!

A repetir!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

III Conferência Deficiência Visual e Reabilitação "Prevenção Visual e Inclusão"



 Foi uma jornada muito esclarecedora, numa primeira parte dedicada à parte fisiológica da deficiência visual e uma segunda mais relacionada com a parte educacional e de reabilitação da pessoa com deficiência visual. Muito interessante foi o facto de estarmos em video conferência com a universidade do Mindelo, em Cabo Verde. Estão a formar-se os primeiros licenciados em Ortótica no país. Foram-nos apresentados dados preocupantes em relação à saúde visual dos países em desenvolvimento. Felizmente, Cabo Verde é um dos que tem vindo a combater algumas doenças que são pouco incidentes em Portugal, como o tracoma
A falta de condições de higiene e a falta de vitamina A são duas das causas mais importantes das doenças visuais que assolam os países em desenvolvimento. Apesar dos esforços da comunidade internacional e também de alguns governos locais, a situação continua preocupante. Há muito a fazer no terreno.


A área científica de Ortóptica, da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL), e a Associação de Retinopatia de Portugal promoveram no dia 7 de dezembro de 2016, no Auditório da ESTeSL/ESEL, a III Conferência subordinada ao tema Deficiência Visual e Reabilitação - "Prevenção Visual e Inclusão", no âmbito do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.


Deixo-vos aqui o programa:
14h00 – Abertura do Secretariado

14h30 – Sessão de abertura
·         João Lobato
Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL - IPL)
·         Rui Manuel Fontinha Vasconcelos
Associação de Retinopatia de Portugal (ARP)
·         Manuel de Oliveira
Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL - IPL)

14h45 – Painel I – Prevenção da Deficiência Visual – Desafios e Estratégias
  • Cegueira Evitável - Vision 2020, The Right to Sight - Parcerias para o Desenvolvimento - Salomé Gonçalves
    Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto (IOGP)
·         Causas da deficiência visual na sociedade contemporânea – Estratégias de Intervenção - Maria Emilia Oliveira
Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto (IOGP)
·         O Rastreio da Retinopatia Diabética - Uma Estratégia para a Prevenção da Cegueira - Carolina Santos
Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) 

Moderador – Manuel de  Oliveira
Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL - IPL) 

16h15 – Pausa 

16h30 – Painel II - Políticas de Inclusão do Jovem com Deficiência Visual
·         Olhar o Escolar Ver o Integrar - Lurdes Veiga
Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado - Santarém
·         Desafios e oportunidades de uma estudante com baixa visão - Paula Monzelo
Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL - IPL)
·         Programas de Reabilitação nas Pessoas com Cegueira Adquirida - Ana Magalhães
Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos (CRNSA)

Moderador – Rui Manuel Fontinha Vasconcelos
Associação de Retinopatia de Portugal (ARP)                    

18h00 – Encerramento

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Ceguinhos NÃO... Senhores Cegos se faz favor!


Fico furioso quando utilizam a palavra 'ceguinhos' para falar sobre as pessoas cegas. A palavra 'ceguinho' traz um estigma tão grande e uma conotação tão negativa que me enoja. O 'ceguinho' é o coitadinho, incapaz, que mete dó, que não tem expressão nem importância na sociedade, que é uma minoria, que ninguém conhece, que é infeliz, que não tem autonomia.
Logicamente, ouvi isso hoje. Não interrompi a pessoa, limitei-me a esperar para ver até onde é que a pessoa iria. Feliz ou infelizmente alguém avisou: "Olha que ele trabalha com cegos." 
O contexto e o local onde me encontrava e a minha educação impediram-me de responder como gostaria por isso, respondi como pude. 
A propósito, deixo aqui esta reflexão. Os apoios existentes (muito poucos por sinal; Torres Vedras é caso único do género com o Gabinete de Apoio à Deficiência Visual - GADV) e as infraestruturas que se constroem para as pessoas cegas não são coisas menores que só dizem respeito a essas pessoas e às suas famílias.
É dever de todos os cidadãos e da sociedade minorar as barreiras arquitetónicas existentes, dando a todos (com deficiência ou não) oportunidade de se deslocarem com a autonomia e a dignidade que merecem. 
Cada vez mais sei que há ainda um longo caminho a percorrer. 
Uma cidade acessível e respeitadora de todos é uma sociedade evoluída, saudável e justa. 
Primeiro é preciso mudar as mentalidades, porque só mentalidades limpas de preconceito conseguem tornar o mundo um lugar melhor para todos.
Eu não conheço nenhum 'ceguinho'. E vocês?

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Toque para intervalo = toque de pânico para as crianças com deficiência visual.

TRiimmm...
A campainha que sinaliza o final de uma aula é, normalmente, recebida com euforia por quase todos os alunos de uma escola. Isto não quer dizer que eles estejam fartos das aulas (às vezes estão!), mas sim que estão com muita vontade de ir brincar, de saltar e correr pelos corredores ou no campo de jogos. Escrevi quase todos os alunos porque, para alguns, esse toque significa outra coisa. Nos 1º e 2º ciclos, em idades compreendidas entre os 6 e os 12 anos, a energia acumulada de 45 ou 90 minutos sentados numa sala de aula fá-los 'explodir' nos intervalos. E então, como poderá uma criança com mobilidade reduzida devido à baixa visão ou cegueira 'explodir' daquela forma e libertar essa energia? 
O que mais me preocupa é como poderá essa criança acompanhar os seus colegas. Se todos desatam a correr e 'desaparecem', uma criança com problemas visuais terá com toda a certeza a sensação de que foi abandonada. Deve ser um pânico.
Penso que é ponto assente que não devemos 'obrigar' ninguém a esperar por um colega com deficiência visual. É muito comum utilizar a técnica peer mas em contexto de aula. 
Ao professor de Educação Especial cabe sensibilizar os alunos da turma e da escola para esta temática, abrindo-lhes os horizontes sobre esta matéria, provocando uma reflexão sobre como será viver com pouca ou nenhuma visão. Se a fizerem talvez mudem a sua atitude e pensem que o que fazem a 100 à hora sozinhos, poderão fazer a 50 na companhia do seu colega. É preciso abrandar.
Ao aluno com deficiência visual cabe tentar criar amizades, pessoas em quem possa confiar, que respeitem a sua menor velocidade e que compreendam. 
Num mundo virado para o 'parecer' mais do que o 'ser' deve ser difícil fazermos a diferença pelo 'ser'.
Não há como não ficar de coração partido quando um aluno com problemas visuais diz que um colega tinha ficado de brincar com ele no intervalo seguinte e, afinal, tinha-se esquecido dele. 
É preciso ser muito forte para aguentar isso, e muito mais.
Tenho o maior respeito pelas pessoas com deficiência visual. Muitas vezes parece que têm o mundo inteiro contra elas. Hoje em dia é muito fácil 'desaparecer' da frente das pessoas, mesmo quando elas vêem bem, com toda a azáfama do dia a dia. Agora imaginem que não vêem... Pois. 
Como fazer ligações a essa velocidade?

Nota: a escola onde lecciono é escola de referência para a educação de crianças e jovens com deficiência visual e tem uma estrutura de apoio bem montada que não permite que aluno (com DV) algum fique sem apoio, tanto na sala de aula, como nos intervalos e horas de refeições.
FMM



segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Carta ao Zé

Caro Zé, esta carta é para ti. Sei que nada do que vou escrever aqui poderá aliviar a dor que estás a sentir neste momento. Além da dor física pela qual estás a passar devido ao herpes zoster que teimosamente decidiu atacar os teus olhos, há também a dor psicológica, o medo, o descontrolo, a sensação de que se está a perder tudo aquilo que anteriormente tínhamos como adquirido. Não nos conhecemos mas uma amiga em comum trouxe-te aqui, ao meu blog. Decidi escrever-te esta carta publicamente porque, ao contrário do que estás a pensar neste momento, há muitos Zés no mundo, no nosso país, muitas vezes até mesmo bem perto de nós. Assim, esta carta não é só para ti, mas para todos os que neste momento possam estar a passar por uma situação semelhante. 
Sei que de uma forma abrupta e repentina perdeste grande parte da visão que tinhas. A doença avançou sem avisar e apanhou-te desprevenido. Ninguém está preparado para uma coisa destas. Estás a passar por um processo que é comum a muitas pessoas que têm o mesmo problema. Eu conheço algumas. Sei que neste momento a esperança num tratamento eficaz já não é muita e que aquela fé e a esperança começam a esmorecer. Acredita que essa esperança e essa fé nunca acabam. Não deve estar muito longe dos 100% as pessoas de baixa visão ou cegas que, no fundo, acreditam que amanhã irá aparecer um tratamento inovador que as fará ver melhor, ou tornar a ver. Têm todas as razões para isso. Com o avanço da tecnologia e toda a investigação que tem sido feita nesse sentido (inclusive em Portugal, através da Fundação Champalimaud, por exemplo) é expectável que num futuro próximo possa haver cura ou tratamento para algumas das doenças oculares mais comuns. 
Mas antes desses tempos de esperança e de reabilitação, há um período muito complicado, o qual deves estar a passar neste momento. No meu trabalho com os utentes do GADV (Gabinete de Apoio à Deficiência Visual) um dos temas recorrentes das nossas conversas e que têm uma transversalidade impossível de ignorar, é o facto de todos eles terem passado por um período de 'luto'. Esse período caracteriza-se primeiro por uma negação da real situação médica. A pessoa não aceita que perdeu, ou está a perder a visão. Até um determinado ponto a pessoa acredita que aquilo não está a acontecer com ela e que logo logo consegue recuperar e tudo não passou de um susto. Quando as coisas demoram a melhorar e o prognóstico não é o mais animador, a pessoa tende a auto-culpabilizar-se ou a culpabilizar os que o rodeiam pela sua situação. Esta situação é muito desgastante, há graves conflitos interiores e também sociais. A pessoa muda a sua atitude perante a sociedade e tende a isolar-se. De qualquer forma a perda de visão estimula esse isolamento. É a ideia de que se já não consigo sair de casa sozinho, então não saio mesmo, entre outras coisas. Todo o papel social da pessoa sofre uma alteração. Desculpa Zé, se já estou a ir longe demais. Noutros posts falei aqui sobre o estigma. Esse estigma cai agora como um peso quase insustentável. A pessoa tende a sentir-se inútil e tem problemas em lidar com as outras pessoas, tanto as estranhas como aquelas que lhe são mais próximas. 
Não te conheço Zé, mas vou arriscar que estás naquela fase em que consideras esta carta uma perda de tempo. Pensas que isto não é para ti. Seja como for, isso não me detém. 
O luto é o deserto. É atravessá-lo, assim mesmo, sem mais nada. Por muitos amigos que se tenham, por muito que a família esteja presente, é sempre um percurso solitário, ninguém poderá percorrê-lo por ti. Não é justo falar-te do deserto e não referir o que está do lado de lá. Depois de atravessá-lo há todo um mundo por explorar. Não queria estar aqui com lugares comuns e frases de incentivo dos livros cor de rosa. A frase de 'O Principezinho' que diz que o 'essencial é invisível aos olhos' é muito bonita, mas é para quem vê. Não me posso pôr na tua pele porque, felizmente, vejo muito bem. Também não posso dizer que sei pelo que estás a pensar; não, não sei. O que te posso dizer é aquilo que tenho estudado e observado nas pessoas que acompanho no gabinete. Felizmente tenho lá pessoas com muita força, que já passaram (ou estão a passar; algumas nem nunca vão deixar de passar) pelo 'luto' e que tentam ultrapassar as dificuldades e viver da melhor forma possível com o problema visual que cada um tem. Não é fácil, há muito a fazer. Primeiro tem que haver uma transformação interna. A aceitação da condição é um passo importante (aceitar não é deixar de acreditar no tratamento ou na cura), depois é encontrar forças para fazer a reabilitação. Como o nome indica a reabilitação vai fazer com que a pessoa readquira a possibilidade de fazer o que fazia antes (não tudo, naturalmente) mesmo tendo problemas visuais. Nesta fase a pessoa deve dar-se a essa possibilidade e dar a oportunidade aos outros de ajudarem. Há instituições que sabem o que fazem e fazem um trabalho espetacular, como o Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, em Lisboa (na reabilitação), a APEDV (nas questões da empregabilidade) e a ACAPO (numa perspetiva mais abrangente).
O que está do outro lado do deserto vai sempre depender da pessoa que o percorrer. É a força interior da pessoa que vai definir isso.
A carta já vai longa e quero só deixar aqui um exemplo de uma pessoa que cegou em idade adulta, devido a diabetes. Nunca mais esqueci as palavras dela. Disse que, quando cegou, pensou que tinha morrido. "Eu morri ali. Depois inscrevi-me no centro (Nossa Sra. dos Anjos) e reaprendi a viver". Esta senhora é um exemplo daquilo que referi. Ela atravessou o seu deserto e estava ali, num grupo de 40 pessoas a dar o seu testemunho e o seu incentivo. Ainda por cima vinha de uma aldeia bem do interior de Portugal. Nunca tinha visto mar e estava numa colónia de férias na qual eu era monitor. No dia em que fomos fazer jogos na praia, pediu-me para ir ao mar. Queria sentir as ondas a bater nas pernas. O mar não estava muito convidativo, mas ela foi tão insistente, puxou-me tanto para entrarmos cada vez mais, que, a certa altura, veio uma onda mais forte e enrolou-nos completamente. Havias de ver a felicidade dela ali, comigo, toda molhada, numa mistura de água salgada e areia. Talvez esteja aí aquilo que estou a tentar transmitir mas sem o escrever, porque só tu é que poderás encontrar e o que quer que escreva vai parecer estúpido, simplesmente porque não sou eu, és tu. Só tu sabes. 
Talvez o segredo seja esse, conseguir ser feliz com uma onda e montes de areia na cara. Quem sabe?
Esta carta já vai mesmo muito longa. Talvez a maior parte das pessoas que a abriu não vai lê-la até ao fim, mas tu vais, mesmo pensando que ela não é para ti. Se calhar não é mesmo. Só tu saberás.
Um grande abraço Zé, estou por aqui e muita gente está por aí. 
Tu é que sabes.
FMM

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Livros para escutar (e ver)...

E se de repente tivéssemos os próprios autores dos livros a lerem-nos as suas histórias?

Pois, temos.

Numa excelente iniciativa é possível aceder a um conjunto de histórias no blog do Público "letra pequena".

Uma ótima ideia para todas as crianças, quer normo visuais, quer cegas.

Eu já experimentei com os meus alunos e eles gostaram bastante.

Aqui está o blog.

Congresso Internacional Escola Inclusiva - Educar e Formar para a Vida Independente

Porque este é um tema que interessa sobremaneira a todos os que, de alguma forma, lidam com a deficiência, deixo aqui a divulgação deste congresso.
No que diz respeito aos utentes do GADV, na minha opinião, a autonomia é mais do que um fim, uma meta, a autonomia é o caminho em si, que abre horizontes e torna tudo possível. Aos interessados aqui fica a informação:


Congresso Internacional «Escola Inclusiva: Educar e Formar para a Vida Independente», que decorrerá na Casa das Histórias Paula Rego, Cascais, dia 3 de Dezembro.

Inscrições:
1 a 20 de novembro – 20,00€
21 de novembro a 2 de dezembro – 30,00€

A conferência terá tradução bilingue (PT/EN) e língua gestual.

Programa:
08:30 – Registo dos participantes

09:30 – Mesa de abertura
• Secretário de Estado da Educação, João Marques da Costa
• Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras
• Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva (a confirmar)
• Diretor do Centro de Formação de Escolas de Cascais, José Marcelino
• Vice-Presidente da Direção da CERCICA, Rosa Maria Lucas Neto

10:15 – Conferência “Advancing Inclusive Education: Transformative Steps on the Path”
Gordon L. Porter, Inclusive Education Canada, Education Training Group, University of New Brunswick

11:00 – Coffee break

11:30 – Conferência “Educação Inclusiva: resistir pela escola que queremos”
David Rodrigues, Associação de Professores de Educação Especial, Centro de Investigação do IE/UL, Conselho Nacional de Educação
Moderador: Pedro Cunha, Direção-Geral da Educação

12:15 – Debate

12:45 – Almoço livre

14:00 – Conferência “Formação de professores para a inclusão”
Teresa Leite, Escola Superior de Educação de Lisboa, Conselho Nacional de Educação

15:00 – Painel “Escola Inclusiva de 2ª Geração”
Luísa Ucha, Secretaria de Estado da Educação - Grupo de Trabalho Escola Inclusiva
Manuela Tender, Assembleia da República - Grupo de Trabalho Educação Especial (a confirmar)
Moderadora: Filomena Pereira, Direção-Geral da Educação

16:00 – Debate

16:30 – Mesa de encerramento
• Vereador da Câmara Municipal de Cascais, Frederico Pinho de Almeida
• Diretor do Centro de Formação de Escolas de Cascais, José Marcelino
• Vice-Presidente da Direção da CERCICA, Rosa Maria Lucas Neto


Informação retirada da: DGE

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Jantar do GADV nas Festas da Cidade 2016 - Torres Vedras

Entre utentes do GADV e acompanhantes foram cerca de 30 pessoas que se deslocaram no dia 2 de novembro ao Pavilhão Multiusos, às tasquinhas, para o jantar, que serviu para reunir parte do grupo e festejar mais um aniversário do Gabinete de Apoio à Deficiência Visual. Há três anos que temos um espaço físico, junto ao Jardim da Graça, há quatro que organizamos a semana da visão, com várias atividades direcionadas para os mais pequenos, através dos Agrupamentos de Escolas de referência para a educação de crianças e jovens com deficiência visual, e para os mais velhos, em sintonia com instituições de apoio social.
Mas há cinco anos que começámos esta caminhada, com muitos altos e baixos, mas com a certeza de que podemos melhorar o apoio às pessoas com deficiência visual, sensibilizar toda a comunidade para esta temática e contribuir para uma sociedade mais justa e equitativa.
Quanto ao jantar, fomos recebidos pela Tasquinha da Freiria, que nos serviu muito bem, com muita simpatia a boa disposição. A comida estava muito boa e o convívio foi muito salutar. 
FMM

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

IV Semana da Visão - Ação de informação e rastreios

Hoje fomos à Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras -  Clinica Domus e promovemos mais uma ação de informação junto da população mais sénior. O diagnóstico precoce é essencial no controle do glaucoma. É muito importante medir a pressão ocular com alguma regularidade.
Esta pressão é independente da pressão arterial. Uma boa pressão arterial não significa que a pressão ocular se encontre nos valores expectáveis.
Brevemente no Num Piscar de Olhos, um post sobre o Glaucoma.
FMM








quinta-feira, 27 de outubro de 2016

IV Semana da Visão - dia 4- Encontro de Goalball

Decorreu na Escola Padre Vítor Melícias um Encontro de Goalball, com a participação de equipas da Escola Básica e Secundária do Cadaval, Agrupamento de Escolas Padre Vítor Melícias e Agrupamento de Escolas Henriques Nogueira.
Foi uma jornada muito participada e o espírito que envolveu o encontro foi muito positivo, de grande camaradagem e partilha. Nota-se uma grande evolução no Goalball praticado por todos, resultado do empenho dos alunos envolvidos e dos professores responsáveis.
Estão todos de parabéns!!

FMM






IV Semana da Visão - dia 3 - Conversas revelando a (D)Eficiência


Hoje fomos até à Escola Básica da Fonte Grada (Agrupamento de Escolas Padre Vítor Melícias) apresentar as nossas conversas revelando a (D)Eficiência, onde alguns utentes do GADV contam a sua história, revelando como é viver sem ver, ou vendo muito pouco. É uma lição de vida. Foi gratificante ver os nossos utentes referirem a importância do GADV para as suas vidas e como, através dele, conseguem aceder a coisas que pareciam inatingíveis e como conseguem apoiar quem precisa, quando precisa. 
Depois disso, e após ouvirem algumas dicas de como se deve guiar um cego, os alunos da escola puderam experimentar a bengala branca, puderam andar de olhos vendados, jogaram jogos adaptados e ainda conheceram a voz do leitor de voz do computador. Foi uma tarde diferente que muito lhes agradou. Penso que esta experiência contribuiu para a sua formação cívica, num claro apelo à sua humanidade e respeito pelos outros e pela diferença.


A repetir!!

FMM

terça-feira, 25 de outubro de 2016

(A Falta de) Autonomia no 'terreno'.


Em plena Semana da Visão é importante fazer também uma reflexão sobre aqueles que, estando a perder a visão, ainda não conseguiram 'dar a volta' e iniciar o seu processo de reabilitação. No outro dia relatei aqui o encontro feliz que tive com um dos utentes do GADV, o qual vinha no seu caminho, com a sua bengala, a deslocar-se com confiança e segurança. Há, no entanto, casos em que não é (ainda) possível atingir este grau de autonomia e segurança.
Enquanto caminhava pela cidade (é algo de que gosto muito de fazer, calcorreio a cidade muitas vezes) encontrei uma outra pessoa ligada ao GADV. Estava parada no meio do passeio, de olhar disperso e com ar muito inseguro. Como sei que não vê o suficiente para me reconhecer, dirigi-me à mesma e falei, assinalando a minha presença. Como não percebeu o nome e não reconheceu de imediato a minha voz ficou muito insegura, desconfiada. Insisti e lá me reconheceu. Estava à espera de alguém que haveria de guiá-la para qualquer lado. Como vê muito mal, não ousava mexer-se, estava ali, parada no meio do passeio, à espera. Perguntei se precisava de alguma coisa, se queria ir para algum lugar. Respondeu que não precisava de nada, que estaria alguém a chegar para a ajudar. Esta pessoa ainda não aceitou a sua condição. Tem recusado aulas de orientação e mobilidade. Tem vergonha. Ainda não consegue lidar com o peso do estigma. Respeito isso e espero pelo tempo certo. Quanto tempo demorará a ultrapassar isto? O quanto sofrerá uma pessoa que sente que, de dia para dia, está a ficar mais limitada e dependente por causa da falta de visão?

FMM

Nota: por questões de privacidade não revelo o nome da pessoa em questão.

IV Semana da Visão - dia 2 - Cuidar da visão: capacitação e qualidade de vida.


Ação de informação no Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

IV Semana da Visão - Dia 1 "Cuidar da visão - capacitação e qualidade de vida"




Para além de termos algumas atividades destinadas aos mais pequenos, este ano damos mais atenção à população mais idosa do concelho, aquela onde a incidência de problemas visuais é maior e onde é necessária uma maior informação e prevenção.
A pensar nisso, associámo-nos mais uma vez à PAX OPTICA e começámos uma série de ações de informação e rastreio visual chamada  “Cuidar da Visão – capacitação e qualidade de vida”.
Desloquei-me com o Dr. Rui Hipólito (Pax Optica) à Associação de Solidariedade e Ação Social da Ponte do Rol. Depois de apresentar a Semana da Visão e o GADV e referir as suas valências e o tipo de trabalho que efetuamos, houve uma abordagem sobre as doenças visuais mais comuns, principalmente o Glaucoma e reiterou-se a importância de um controle regular da tensão ocular. 
O Dr. Rui realizou depois rastreio à tensão ocular aos utentes do centro de dia. Felizmente a grande maioria apresentou resultados dentro do esperado para a sua faixa etária. 

Com o sentido de humor refinado de muitos anos de vida, uma das utentes referiu com uma gargalhada:
"Com a idade que temos e com estes resultados, está visto que vamos para o cemitério a ver bem!!"

Obrigado pela forma como nos receberam.
FMM